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quarta-feira

A Ingratidão e o Amor

 
As decepções oriundas da ingratidão não serão de molde a endurecer o coração e a fechá-lo à sensibilidade?

Fora um erro, porquanto o homem de coração, como dizes, se sente sempre feliz pelo bem que faz. Sabe que, se esse bem for esquecido nesta vida, será lembrado em outra e que o ingrato se envergonhará e terá remorsos da sua ingratidão. Questão Nº 938 – O Livro dos Espíritos.

Tudo isso está presente na mais execrável e comprometedora ingratidão: a dos filhos.

Impossível efetuar um levantamento completo dos benefícios que recebemos de nossos pais, particularmente na infância. É preciso que tenhamos nossos próprios filhos para que possamos avaliar devidamente o assunto. Não há sacrifícios em favor de alguém que se comparem aos da solicitude materna. Começam pela gravidez, que altera algo extremamente importante para a mulher - a ética'>estética corporal -, impondo-lhe deformações das quais nunca se recuperará plenamente. Depois, as dores do parto, a insegurança diante do recém-nascido, as noites de vigília, a ciranda das fraldas e das mamadeiras, as angústias em face de enfermidades, as preocupações que se estenderão por toda a existência em relação ao bem-estar e à felicidade do filho...

Ao pai está reservada idêntica carga de cuidados, não tão envolvente e intensa, mas acrescida do compromisso de trazer para a família “o pão de cada dia”.

No entanto, para muitos casais idosos sobram, na velhice, um fundo de quintal, um asilo de luxo, um progressivo distanciamento.

Com a indefectível racionalização humana, a disfarçar o egoísmo, alegam os filhos problemas de convivência, conflito de gerações, caduquice dos velhos, com o que anestesiam a consciência. Esquecem-se de que os pais não fizeram o mesmo quando o “conflito de gerações” envolvia um casal às voltas com a “caduquice” de pirralhos iniciantes na arte de pensar.

- Eu não pedi a meus pais para vir ao Mundo - justificam muitos ingratos.

Ledo engano!

No Plano Espiritual não só pedimos como, não raro, imploramos a casais em disponibilidade que nos dessem a oportunidade de um retorno às experiência humanas, reconhecendo-as indispensáveis à nossa edificação e à solução de problemas cármicos.

Mas há outro lado da questão.

Curioso observar como as mães mais ternas, mais virtuosas, nunca cobram dos filhos os benefícios que lhes prestam.

É que só podemos cobrar o que vendemos. A mãe não “vende” dedicação ao filho porque o faz por amor, que é, em sua manifestação mais pura, um ato de doação.

Esta é uma lição que deveríamos aprender com as mães, a fim de não reclamarmos quando os beneficiários de nossas iniciativas frustrarem nossas expectativas.

Quem cobra gratidão é mero vendedor de benefícios.

Isto aplica-se a tudo o que fazemos em favor de alguém, no lar, na rua, no local de trabalho, na atividade religiosa, na vida social.

Os melindres, os desentendimentos, as decepções surgem quando cobramos amizade, respeito, compreensão, consideração, daqueles aos quais eventualmente tenhamos beneficiado.

Pomos a perder gratificantes oportunidades de servir porque vendemos muito e doamos pouco, no empório de nossas ações.

Quem se doa, em benefício de um filho, de um amigo, de um necessitado, jamais pensa em retribuição. A recompensa está na própria doação, já que quando assim fazemos, assumimos nossa filiação divina, habilitando-nos a receber em plenitude de bênçãos de Deus, que não se perturba com os ingratos, nem deixa de atendê-los, porquanto, como ensina Jesus, “faz nascer o sol para bons e maus e descer a chuva sobre justos e injustos”.

O que seria do Cristianismo se Jesus, magoado com a ingratidão dos homens, com a multidão que o insultara, com os amigos que o abandonaram, com os discípulos que se acovardaram, recusasse comparecer ao colégio apostólico, após a crucificação?

E o que fez, diante dos companheiros assombrados com a gloriosa materialização? Revelou-se aborrecido? Criticou-os acremente?

Nada disso!

Jesus simplesmente saudou-os desejando-lhes paz, como nos dias venturosos do passado e, retirando-os do angustiante imobilismo, sedimentou para sempre, em seus corações, a disposição de trabalhar pela edificação do Reino de Deus. 

 O Mestre demonstrou, em inúmeras circunstâncias, que, se o amor persevera, o ingrato acabará defrontando-se com a própria consciência, que lhe imporá irresistíveis impulsos de renovação.

Richard Simonetti

domingo

Reflexão Para o Ano Novo


Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará! Andai prudentemente, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Não sejais insensatos, mas entendei qual é a vontade do Senhor.

Estas vigorosas afirmativas são do Apóstolo Paulo (Efésios 5:14-17), que despertou para a fé no glorioso encontro com Jesus, às portas de Damasco, tornando-se o grande bandeirante do Evangelho.

Foi o cristão mais acordado de seu tempo. Via nos ensinamentos de Jesus não um simples desdobramento dos princípios judeus, de valor temporal e restrito, mas uma revelação divina que se destinava a todos os povos e todos os tempos.

Suas observações merecem reflexão. Como sabemos há um objetivo para a existência humana. 

Estamos aqui, fundamentalmente, para evoluir. Cumpre-nos desenvolver as potencialidades criadoras e as virtudes embrionárias que caracterizam nossa filiação divina.

Quem não está consciente disso dorme o sono da indiferença, embalado nos devaneios sugeridos pelos vícios, paixões, interesses e ambições que caracterizam o homem comum, mesmo quando se julgue desperto e muito esperto.

Diz o empresário:

– Estou acordado! Tenho iniciativa! Guardo sob minhas ordens milhares de funcionários, trabalho dezesseis horas por dia, movimento milhões, aumento cada vez mais meus patrimônios!

Diz a jovem imatura:

– Estou acordada! Divirto-me, passeio, namoro, adoro a madrugada, curto a vida!

Diz o viciado em drogas:

– Estou acordado! Sou capaz de viajar para o céu quando queira, ampliando minhas percepções e experimentando a plenitude da euforia!

Diz o homem do mundo:

– Estou acordado! Sei defender meus direitos. Jamais permito que me passem para trás. Dou um boi para não entrar em briga, uma boiada para não sair dela. Não levo desaforo para casa.

Pobres tolos! Proclamam-se acordados. São sonâmbulos que falam e ouvem!

Pensam que sabem tudo. Não sabem nada!

Imaginam ter tudo sob controle. Mergulham num oceano de inconsequências!

Acalentam sonhos ilusórios. Amargo será seu despertar!

Um ano se encerra com seu acervo de experiências, com suas realizações e frustrações, com seus momentos bons e maus…

Um ano se inicia com sua carga de esperanças.

Isso é bom. A esperança é o facho sagrado que aquece o presente e ilumina o futuro. Mas é preciso analisar o que esperamos no novo ano, a saber se estamos cultivando esperanças legítimas ou meras ilusões. Que paremos por instantes e nos perguntemos, lembrando o apóstolo:

– Estou acordado? Tenho consciência do que faço na Terra e do que me compete realizar?

Isso é fundamental. Caso contrário vamos incorrer nos mesmos enganos, cometer os mesmos erros; entrar pelos mesmos desvios, sem perceber por onde andamos e o que nos compete fazer.

Se despertarmos, Cristo nos iluminará – diz Paulo.

Essa é a grande bênção do despertar.

Mas a luz do Cristo é também o grande teste para saber se estamos despertos. Basta confrontar o que somos e o que fazemos com o que Jesus fazia e recomendava.

Perdão, mansuetude, compreensão, tolerância, bondade, caridade, amor, são as luzes do Cristo.

Serão as nossas luzes? Estamos iluminando e aquecendo nossas almas, com esse fogo sagrado?

Diz Paulo:


Andai prudentemente, não como néscios, mas como sábios.

Néscio é um adjetivo forte, pejorativo. Significa ignorante, inepto, insensato, incapaz.

Sábio é aquele que vê além das aparências. É alguém atento à necessidade de aprender sempre. 

Começa na consciência da própria ignorância. Sócrates, o pai da filosofia, considerado o homem mais sábio de seu tempo, dizia:

– Não sei por que me consideram sábio, porquanto toda a minha sabedoria consiste apenas em saber que não sei nada.

É a partir da reconhecimento de nossas limitações e do empenho por superá-las que começamos a despertar para a vida em plenitude.

É preciso, para isso, aproveitar o tempo, superando o milenário torpor que caracteriza o homem terrestre, buscando nosso crescimento moral, intelectual e espiritual.

Paulo nos recomenda que não percamos as oportunidades, porque, como diz, os dias são maus. Os cristãos, minoria no Império Romano, viviam em permanente expectativa de perseguições religiosas movidas pelos pagãos.

Eram dias difíceis, dias de sofrimentos, mas também dias de gloriosos testemunhos da fé para aqueles homens acordados, conscientes do que queriam, do que lhes competia fazer.

Os que buscam vivenciar em plenitude o Evangelho sempre encontrarão dias maus, já que a Terra é um planeta de expiações e provas, onde as forças das sombras pretendem sustentar domínio, explorando as tendências inferiores da Humanidade.

É preciso, diz Paulo, aproveitar as oportunidades e fazer o melhor, considerando algo fundamental:

Não são aqueles em que enfrentamos o mal os piores dias.
São os dias em que não cultivamos o Bem.

Por isso – recomenda –, não sejais insensatos, mas procurai compreender a vontade de Deus.

Para aquele que está desperto, é fácil saber qual é a vontade de Deus. Está expressa no Evangelho, a Carta do Amor Divino.

Temos nas palavras de Paulo um bom roteiro para nossas reflexões, a saber se estamos despertos e conscientes ou dorminhocos incorrigíveis, repetindo os mesmos enganos de sempre, próprios de sonâmbulos que não sabem o que fazem, nem por onde andam ou o que falam.

Mas também não precisamos solenizar o assunto, tornando-nos fanáticos inconvenientes. O perigo mora aí! O fanatismo nos leva a adotar posturas rígidas e antipáticas, e a criticar o comportamento alheio, cultivando a pretensão de ditar normas e padrões de conduta, como se fôssemos os donos da verdade.

Nesse aspecto, oportuno lembrar a oração de uma madre superiora esclarecida e comunicativa, consciente de suas limitações.

Sua prece é uma obra prima de bom humor e perfeita compreensão do que lhe competia fazer para viver o Evangelho.


Senhor, Vós sabeis melhor do que eu que estou envelhecendo e um dia ficarei velha. Não permitais que eu me torne tagarela e, principalmente, que adquira o hábito fatal de pensar que devo dizer alguma coisa sobre todos assuntos, em todas ocasiões.

Livrai-me de querer, a todo momento, resolver os problemas de toda gente. Conservai minha mente livre da enumeração de intermináveis pormenores: dai-me asas para ir diretamente ao assunto.

Imploro a delicadeza suficiente para ouvir as narrativas dos males alheios. Ajudai-me a suportá-los com paciência.

Mas selai meus lábios quanto a meus próprios achaques e dores. Eles estão aumentando, Senhor, com o peso dos anos.

Ensinai-me a maravilhosa lição de que às vezes pode ser que eu esteja errada.

Conservai-me razoavelmente meiga; não quero ser uma santa – algumas são tão difíceis de suportar! – mas uma velha amargurada, Senhor, é uma das obras-primas do diabo.

Fazei-me ponderada, mas não carrancuda. Prestativa, mas não mandona. Com todas as minhas vastas reservas de sabedoria, será uma pena não usar todas.

Mas Vós sabeis, Senhor, que no fim quero ter alguns amigos.


Richard Simonetti
Do livro O Destino em Suas Mãos

sábado

Um Ano Aceitável


1 – “Ano Novo, vida nova”, prega o velho aforismo. É possível, realmente, fazer da passagem do ano um divisor de águas, buscando um novo comportamento, uma nova visão da existência, uma vida nova?

Quando elegemos determinada data para o esforço de renovação, estamos debitando ao futuro algo que deve acontecer no presente. Se não queremos cair na vacuidade, é importante usar um aforismo bem mais consistente: “Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje”.

2 – Digamos que o fumante se conscientize de que o cigarro lhe faz mal e se proponha a marcar data para largar de fumar. Passa algumas semanas preparando-se. Isso não lhe dará a firmeza necessária?

Se estivesse realmente consciente de que o cigarro lhe faz mal, pararia imediatamente, sem debitar ao futuro a iniciativa. Quando temos a idéia, mas não a consciência, vão é o desejo de mudar. Por isso Mark Twain (1835-1910), grande escritor americano dizia, jocoso: Largar de fumar é a coisa mais fácil do mundo. Eu mesmo já larguei mais de cem vezes.

3 – Não obstante, não seria importante uma reflexão natalina, avaliando o ano que se finda e cogitando do que pretendemos fazer no novo ano? Isso não favoreceria nossa adequação aos desígnios divinos?

Todo empenho nesse sentido é válido, mas seria melhor que fizesse parte de um contexto, envolvendo o esforço permanente de renovação, como um corredor que avalia quanto já correu, enquanto segue em frente, buscando a meta a ser alcançada.

4 – Segundo Santo Agostinho, há um momento em que a alma humana atinge a percepção dos valores espirituais, o que lhe inspira a disposição legítima para a renovação. Chama esse acontecimento de “iluminação”. Ele próprio o experimentou. Poderíamos situar essa iluminação como uma graça divina?

Com semelhante idéia estaríamos admitindo que Deus tem seus preferidos, seus eleitos, o que não é compatível com a justiça. A iluminação, aquele momento decisivo, em que o Espírito tem a percepção dos caminhos que lhe compete seguir, em favor da própria renovação, é fruto de nosso amadurecimento como Espíritos imortais, no desdobramento das existências.

5 – Como situaríamos Francisco de Assis, nesse contexto?

Ele já era um Espírito iluminado quando reencarnou com a gloriosa missão de motivar o movimento cristão para um retorno à primitiva pureza. Consta que teria sido um dos discípulos de Jesus, provavelmente João Evangelista.

6 – A iluminação decorre do processo de amadurecimento do Espírito ou é algo que pode atingido mais rapidamente com o nosso esforço?

Não somos vegetais à espera do tempo para crescer, florescer e frutificar. Somos seres pensantes, cuja maturidade está subordinada a esse esforço. Espíritos há que permanecem séculos dominados por vícios e imperfeições. Outros caminham mais rapidamente. O fumante inveterado não é pior nem mais atrasado que aquele que deixou o vício. Apenas não se dispõe ao mesmo esforço. Depende de cada um.

7 – Como fazer para nos libertarmos de nossas limitações, do acomodamento, de forma a nos iluminarmos mais depressa?

Jesus dizia: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. No atual estágio evolutivo é-nos impossível uma visão da verdade em plenitude. Mas podemos assimilar parcela dela. Nesse particular o Espiritismo é imbatível, oferecendo-nos uma ampla visão das realidades espirituais, de onde viemos, para onde vamos. Sobretudo, a Doutrina nos conscientiza que é preciso caminhar, a fim de não sermos atropelados pela dinâmica da Evolução, que impõe corretivos dolorosos aos que pretendem estagiar na inércia.

8 – Uma palavra aos nossos leitores.

Desejo aos queridos leitores, que cumprem penitência acompanhando meus exercícios literários, um Ano Novo pleno de realizações espirituais, em clima de paz, o tempero da felicidade. Seja para todos nós, segundo a expressão evangélica, um “ano aceitável do Senhor”,um ano em que estejamos empenhados em aceitar em plenitude a orientação de Jesus, em favor de nossa iluminação.

Richard Simonetti
Pingafogo

domingo

Herdar a Terra


– Crime horroroso cometeu aquele sujeito! Embriagado, avançou o sinal, atropelou e matou três inocentes! Devia existir pena de morte para essa gente!

– Seria pouco! Se eu estivesse ali participaria com satisfação de um linchamento. O miserável merecia morrer junto com suas vítimas!

– Mundo violento este em que vivemos! Você leu sobre a mulher que agrediu o amante que pretendia deixá-la? Aproveitou o momento em que dormia para dar-lhe uma violenta martelada na cabeça! O infeliz não morreu mas terá sequelas que complicarão sua vida.

– É um horror estarmos sujeitos às loucuras de gente dessa laia, que por um nada pensa em matar. Deviam cortar-lhe a mão para aprender a respeitar as pessoas.

– Seria um castigo exemplar!… E há os desonestos que nos enganam para tirar proveito…

– Estou bem atento a esses salafrários. Comigo não tiram vantagem. Noutro dia falei poucas e boas a uma mulher sacudida que pedia esmola à minha porta, a pretexto de comprar leite para seu filho.

– Não sei onde vamos parar! O problema está em nossos próprios lares. Minha filha apaixonou-se por um mau caráter que se atreveu a beliscá-la, movido por ciúmes. Dei-lhe umas boas bordoadas para aprender a respeitar as pessoas.

– Não raro tenho ganas de fazer o mesmo com alguns subordinados, em minha atividade profissional. 

São incompetentes e relapsos! Contenho-me, mas não deixo de dar uns bons berros para que cumpram seus deveres.

– É o que faz minha mulher na escola. Diz ela que os alunos são tão impertinentes que ao final da aula está afônica de tanto gritar. Impõe disciplina com braço de ferro.

– Creio que a Terra só vai melhorar quando houver a separação do joio e do trigo de que fala Jesus e essa gente for banida de nosso planeta. Então viveremos melhor, como ensina a Doutrina Espírita.

– Deus o ouça. Espero que aconteça logo. Detesto gente agressiva! Não gostaria de reencarnar num mundo tão violento como o nosso!

***

Interessante diálogo, bem ilustrativo das tendências do homem comum, não é mesmo, amigo leitor?
E quanto a Jesus, o que diria?

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.

Sermão da Montanha, Mateus, 5:5

Richard Simonetti

Paz a todos!

terça-feira

Honesto aos Olhos de Deus


1 – Sucedem-se os governos no Brasil e perpetua-se a corrupção, em todos os níveis de atividade, na área pública e privada. Está na alma do brasileiro?
A corrupção está na alma da Humanidade, excrescência do comportamento egoístico que caracteriza os habitantes deste planeta de provas e expiações. A preocupação exacerbada com o próprio bem-estar e, no caso, com os patrimônios materiais, inspira e sustenta a desonestidade.

2 – Mas essa tendência parece ser mais forte em nosso país.
A tendência é universal. Ocorre que em países desenvolvidos ela é melhor controlada e punida. A impunidade no Brasil, principalmente em relação aos que mais se comprometem com a corrupção, é assustadora. Com raras exceções, somente os pobres vão parar na cadeia.

3 – No seu entender, quais as medidas que deveriam ser tomadas pelo governo?

Compete-lhe aprimorar os controles e instituir mecanismos que levem à punição exemplar dos infratores. Mas isso não basta, já que sempre haverá espertos capazes de burlar as leis. A educação orientada para a cidadania é o caminho mais acertado, estabelecendo controles a partir da consciência de que ser cidadão é, acima de tudo, respeitar as leis.


4 – E quanto ao Espiritismo?
Há duas frentes de ação, inspirando a honestidade. Em primeiro lugar, também a educação, não a formal, mas a educação espiritual. Com a consciência de que somos Espíritos imortais em jornada de evolução na Terra, onde nos compete combater os impulsos egoísticos que favorecem a corrupção, somos decisivamente estimulados a respeitar as leis.

5 – E a segunda frente?
Mostrar que todos responderemos por nossas ações quando retornarmos ao Mundo Espiritual, em observância plena à advertência de Jesus: a cada um segundo suas obras.

6 – Essa advertência está presente em todas as religiões, sem muita ressonância no alma dos fiéis. Por que o Espiritismo seria mais convincente?
As noções das religiões tradicionais sobre a vida espiritual são fantasiosas. Falam das coisas do Além, a partir de especulações dos que vivem na Terra. O Espiritismo fala a partir de informações do que lá vivem, mostrando de forma clara e incisiva as conseqüências do comportamento humano.

7 – Qual seria o castigo da corrupção?
Diz Dante, em A Divina Comédia, que os adeptos do princípio “com dinheiro, qualquer não vira um sim”, vão parar numa vala de piche fervente, no inferno, atormentados por demônios perversos. Suas fantasias guardam algo da realidade espiritual. Em O Céu e o Inferno, Allan Kardec reporta-se a Espíritos comprometidos com o erro, o vício, o crime, a desonestidade, enquanto encarnados. Inúmeros deles descrevem, em manifestações mediúnicas, seus tormentos morais, piche fervente em suas consciências, reunidos, por afinidade, em correspondência à natureza de seus crimes, em tenebrosos vales de sofrimento.

8 – A honestidade seria o passaporte para regiões mais amenas?
Sim, mas não basta cumprir as leis dos homens. Sobretudo, é preciso ser honesto perante Deus, como explica o Espírito Joseph Brê, dirigindo-se à sua neta, na obra citada: Honesto aos olhos de Deus será aquele que, possuído de abnegação e amor, consagre a existência ao bem, ao progresso dos seus semelhantes; aquele que, animado de um zelo sem limites, for ativo na vida; ativo no cumprimento dos deveres materiais, ensinando e exemplificando aos outros o amor ao trabalho; ativo nas boas ações, sem esquecer a condição de servo ao qual o senhor pedirá contas, um dia, do emprego do seu tempo; ativo finalmente na prática do amor a Deus e ao próximo.

domingo

O Santo Casamenteiro


A jovem era devota de Antônio de Pádua.

Orava, genuflexa, diariamente, reiterando rogativas:

– Abençoa meus familiares, dá-lhes saúde e paz. Quanto a mim, santo querido, peço seus préstimos, ajudando-me a encontrar um companheiro, um bom rapaz que realize meu sonhos de um lar feliz, abençoado por muitos filhos…

A família até que ia bem, certamente amparada pelo santo…

Quanto ao casamento, nada feito. Ele parecia fazer ouvidos moucos.

Entrava ano, saía ano, e nada de aparecer o príncipe encantado.

Já quase conformada em ser “titia”, viu-se, certa feita, em sonho, diante do grande pregador do Evangelho.

Sem vacilar, cobrou-lhe resposta às reiteradas solicitações.

– Meu santo, tenho feito tudo para merecer suas graças, arranjando-me um companheiro, conforme sua especialidade. Guardo recato. Pouco saio, fugindo às tentações. Só vou à igreja… Comungo diariamente, acendo velas em sua homenagem, repito o rosário duzentas vezes, rogo ardentemente… O que está faltando?

O santo sorriu:

– Minha filha, tenho procurado ajudá-la, mas está difícil, porquanto depende de você. Participe da vida social, freqüente uma escola, integre-se em serviços comunitários, amplie seu círculo de relações… Dê uma chance ao amor!

"André Luiz faz interessante observação, em Ação e Reação, psicografia de Chico Xavier:"

Deus ajuda as criaturas por intermédio das criaturas.

Sempre há Espíritos dispostos a atender nossas rogativas, quando orientadas pelo coração, em empenho contrito de comunhão com a Espiritualidade.

Podemos dirigi-las a Deus, a Jesus, aos santos, aos guias, protetores, aos anjos, de acordo com nossas convicções religiosas.

Os santos autênticos, Espíritos iluminados que passaram pela Terra, como Francisco de Assis, Antonio de Pádua, Tereza D’Ávila, Maria de Nazaré, Simão Pedro, não têm condições para atender, pessoalmente, às multidões que os procuram, em milhões de preces a eles dirigidas, diariamente.

Para tanto, contam com enorme contingente de auxiliares, que em seu nome ajudam os fiéis.

O mesmo acontece na área espírita, com veneráveis entidades, como Bezerra de Menezes, Eurípides Barsanulfo, Cairbar Schutel, Batuíra e, hoje, o nosso querido Chico Xavier.

Em nível mais modesto, há familiares, amigos e mentores desencarnados, que atentam às nossas rogativas, a partir de singelas iniciativas.

Jamais estaremos desamparados.

Contamos, invariavelmente, com o amparo das criaturas de Deus que, em nome do Criador desenvolvem iniciativas que visam nosso bem-estar.

Ficaríamos surpreendidos se tivéssemos consciência do permanente empenho de nossos amigos espirituais, buscando ajudar-nos a aproveitar as oportunidades de edificação da jornada humana.

E o fazem por amor ao Bem, como é próprio dos Espíritos que vivenciam em plenitude as leis divinas, conscientes de que a felicidade do Céu está em socorrer as necessidades da Terra.

Não obstante, é preciso atentar a um detalhe quando rogamos auxílio aos benfeitores espirituais.

Eles não são babás, chamados a cuidar de marmanjos.

Sua função primordial é nos inspirar a fazer o melhor.

Mostram caminhos.

A iniciativa de caminhar é nossa.

É preciso sair a campo, lutar pelo ideal, trabalhar pela realização de nossos sonhos, para que não nos situemos como a jovem que estava ficando para titia, por fechar-se numa redoma, sem acesso para o “príncipe encantado”.

Do Livro Abaixo a Depressão.

quinta-feira

Triângulo Amoroso


Estou enamorada de um homem casado, que corresponde aos meus sentimentos. Devemos nos harmonizar nesta existência, como marido e mulher?

Parece-me que o problema de harmonização envolve o casal constituído. A ligação afetiva que pretendem iniciar situa-se para ele como desvio de compromisso.

- E o princípio de que nada acontece por acaso?

No mundo de causa e efeito em que vivemos, realmente tudo o que acontece tem uma origem, não é ocasional. As experiências extraconjugais, por exemplo, são frutos de impulsos passionais próprios da animalidade humana.

- Mas sinto que há uma ligação muito forte entre nós, um relacionamento de vidas passadas.

Pode ser, mas esteja certa de que não se reencontraram para incorrer em adultério ou acabar com um casamento.

- E se ele casou por imaturidade, antes que nos encontrássemos?

Nem por isso deixou de assumir um compromisso, que se sobrepõe, no presente, a hipotético compromisso com você. A situação agora é diferente. Há a responsabilidade com os filhos.

- Mas não temos o direito de ser felizes?

Temos todo direito de buscar a felicidade, desde que ela não seja construída sobre a infelicidade alheia. Imagine-se no lugar da esposa traída. Gostaria de ver seu marido deixando-a para viver com outra?

- Então ninguém deveria se casar em segundas núpcias?

Os ex-cônjuges têm o direito de refazer sua vida no terreno afetivo, buscando nova experiência. É diferente da separação por influência de alguém que se envolveu com um deles.

- E como fico, se ele é tudo o que quero nesta vida?

Em favor de nossa felicidade, não devemos reduzir nossos desejos e aspirações à consumação de uma ligação afetiva. Há assuntos muito mais importantes. Nossa realização como filhos de Deus, por exemplo, pelo esforço incessante de aprendizado e o aprimoramento moral.

- Devo renunciar?

Renúncia envolve desistência de um direito. Seu caso é diferente. Configura mero dever. O dever de respeitar uma família, evitando tornar-se responsável por sua dissolução.
Richard Simonetti

Advento do Mundo de Regeneração


Pinga Fogo entrevista Richard Simonetti

1 - Como poderíamos definir a diferença entre Mundo de Provas e Expiações, estágio atual da Terra, e Mundo de Regeneração, o próximo estágio?

Mal comparando, diríamos que nos Mundos de Provas e Expiações o egoísmo predominante, resquício da animalidade primitiva, é o elemento gerador de todos os males. No Mundo de Regeneração, consciências despertas para esse problema estarão empenhadas em superá-lo.


2 - Então no Mundo de Regeneração ainda prevalece o mal?

Prevalece a consciência de que é preciso vencê-lo com o empenho do Bem. Equivale a dizer que o mal nesses planetas não tem receptividade nos corações e tende a desaparecer.


3 - Fala-se que a promoção de nosso planeta para Mundo de Regeneração ocorrerá neste milênio, provavelmente nos próximos séculos. Não estamos diante de um otimismo ingênuo, considerando os graves problemas humanos, envolvendo crimes, guerras, vícios, violência urbana, terrorismo, a evidenciar que a maldade ainda impera?

Há muita gente envolvida com o mal, por ignorância. Estes serão renovados no desdobramento de suas experiências, particularmente com a mestra dor, em reencarnações regeneradoras. O problema está naqueles que constituem uma minoria barulhenta, com o mal entranhado em seus corações. Esses serão expurgados, quando chegar a hora.


4 - Tipo Bin Laden?

Sim, todos aqueles que se comprazem com a violência, o vício, o crime, sem a mínima sensibilidade em relação aos males que causam, aos sofrimentos que impõem aos seus irmãos.


5 - Para onde irão os Espíritos degredados?

Provavelmente para Mundos Primitivos, em posição inferior à Terra, conforme a escala apresentada por Kardec, em O Evangelho segundo o Espiritismo.


6 - Isso não contraria o princípio doutrinário de que o Espírito pode estacionar, mas jamais retrograda?

Um homem civilizado condenado a viver entre aborígines não sofre nenhuma perda em relação à sua inteligência, cultura e conhecimentos, que, inclusive lhe serão úteis na nova situação, embora as limitações a que estará sujeito. O mesmo acontece com o Espírito degredado em planeta inferior.


7 - Não irá um Espírito intelectualmente evoluído, mas moralmente atrasado, causar embaraços aos habitantes desse mundo?

Não tanto quanto os benefícios que essa convivência ensejará. Os degredados estarão mais ou menos no mesmo estágio moral, mas superiores no estágio intelectual, favorecendo o progresso de seus hospedeiros, em cujo seio reencarnarão.


8 - E ficarão para sempre por lá?

Segundo Emmanuel, somos todos tutelados do Cristo, o governador espiritual de nosso planeta, compondo uma imensa família, de perto de vinte e cinco bilhões de Espíritos. Natural, portanto, que após superarem sua rebeldia e resgatarem seus débitos, ajustando-se às leis divinas, retornem os degredados ao convívio humano, o que poderá demandar milênios, mas forçosamente acontecerá. Como ensina Jesus, das ovelhas confiadas por Deus aos seus cuidados, nenhuma se perderá.



sexta-feira

A Morte da Gata


As duas meninas, sete e nove anos, brincavam na calçada.
Nas proximidades, a gata rueira, impossível de ser contida nos limites da casa, como todos os felinos.
A bichana resolveu atravessar a rua.
Um automóvel aproximava-se, veloz.
Ela esgueirou-se, rápido.
Escapou por um triz, como sempre, valendo-se das “sete vidas” com que o imaginário popular brinda a agilidade dos felinos.
Certamente gastou a última, porquanto outro carro vinha em sentido contrário e a pobre foi colhida por rodas implacáveis.
Em segundos expirava, velada pelas meninas que choravam em desolação, traumatizadas com a violência presenciada, inconformadas com a perda de sua Juju.

***

– Papai, a Juju cumpriu um carma?
– Não, filhinha. Animais não têm dívidas a pagar. São conduzidos pelas forças da Natureza, sob orientação do instinto.
– Mamãe dizia que era uma criminosa, destruidora de cortinas e estofados!
– Não fazia por mal… Apenas afiava as garras, como todo felino.
– Podemos orar por ela?
– Certamente! Será como se lhe fizessem um carinho à distância.
– Quando morrermos, vamos encontrá-la?
– Talvez… As almas dos animais não costumam demorar-se no Além.
– Animal também reencarna?
– Sim. Faz parte de sua evolução.
– Gato pode reencarnar como cachorro?
– Sem dúvida, e também em outras espécies, em constante desenvolvimento, ao longo dos milênios.
– Que bom papai! A Juju poderá voltar como filha de nossa Baby!

***

Algum tempo depois, Baby, a cadelinha, despeja no mundo quatro filhotes.
As meninas encantam-se, particularmente com a menor.
– Veja, papai! Tem a mesma cor de nossa Juju e até os olhos puxadinhos. Deve ser ela!
– Pode ser, filhinha – sorriu o pai, condescendente.
Não seria caridoso contestar a animadora fantasia.
Afinal, não era impossível… Como devassar os meandros da evolução, a progressão das experiências, as espécies a que se liga o princípio espiritual, na longa jornada rumo à consciência?…
– Podemos ficar com ela?
– Se quiserem…
– Vai chamar-se Juju.
– Tudo bem.
***

Observando o entusiasmo das meninas, conjecturava o pai, com seus botões:

“Ah! Vida abençoada! Sempre a brotar, irresistível, plena de esperanças, sobrepondo-se à desolação da morte!”

Richard Simonetti
Paz a todos...

sábado

Do Céu Para a Terra



O professor, em curso de mestrado, propôs aos alunos:

– Se fossem morar numa ilha deserta e pudessem levar apenas um livro, qual escolheriam?

Respostas variadas, segundo interesses, concepções e predileções individuais:

– Os Miseráveis, de Victor Hugo (1802-1885).

– O Emílio, de Rousseau (1712-1778).

– O Capital, de Marx (1818-1883).

– A Interpretação dos Sonhos, de Freud (1856-1939).

– A Origem das Espécies, de Darwin (1809-1882).

– As Flores do Mal, de Baudelaire (1821-1867).

– Os Diálogos, de Platão (428-348 a.C.).

– O Príncipe, de Maquiavel (1469-1527).

– A Teoria da Relatividade, de Einstein (1879-1955).

O professor sorriu:

– Não seria mais proveitoso um manual de sobrevivência?

O mestre foi, acertadamente, pragmático.

Numa situação dessa natureza, importa, sobretudo, a utilidade prática de uma obra literária.

Os livros escolhidos poderiam atender às suas aspirações literárias, mas eram inúteis em relação ao essencial:

Como sobreviver numa ilha deserta?

***

Lembrando a singela enquete, pergunto-lhe, prezado leitor:

Se você estivesse na Vida Espiritual, prestes a reencarnar neste vale de lágrimas, e lhe fosse concedido trazer um livro, no que pensaria?

Certamente, com a visão objetiva dos desencarnados, haveria de optar, igualmente, por um manual que o ajudasse a sobreviver.

Não me refiro à integridade física. Dela haveriam de cuidar o instinto de defesa da prole, em princípio, nos seus pais, e o instinto de conservação em você, depois.

Refiro-me a uma sobrevivência, digamos espiritual, a integridade dos projetos que certamente fez, porquanto não há de ter sido por mero diletantismo que mergulhou na carne.

Até posso adivinhar o que planejou:

• Disciplina das emoções.

• Reforma íntima.

• Exercício da caridade.

• Reconciliação com desafetos.

• Consolidação de laços afetivos.

• Resgate dos débitos cármicos.

Esse é o material de construção da gloriosa e desejada edificação – o Reino de Deus em nós, harmonizando-nos com os ritmos do universo.

A suprema ventura:

Colaborar com o Criador, na obra da Criação!

Assim, não tenho dúvidas de que você escolheria um livro que o ajudasse a superar a amnésia imposta pelo processo reencarnatório.

Com ele, tomaria conhecimento do que lhe compete fazer e caminharia com mais segurança, evitando perder-se nos meandros da ilusão, que conduz tanta gente ao fracasso.

Abençoado manual de sobrevivência, roteiro seguro para cumprimento dos sagrados objetivos que nos trazem à vida física, favorecendo uma existência feliz e produtiva.

***

Saiba, caro leitor, que esse livro maravilhoso está à sua disposição.

Graças à iniciativa de prepostos de Jesus, nosso governador celeste, e à lucidez de valoroso missionário, o “milagre” aconteceu.

O manual foi transposto do Céu para a Terra.

O missionário: Allan Kardec.

O manual: O Livro dos Espíritos.

Não o perca de vista!

Tenha-o sempre perto!

Leia, pesquise, consulte, estude, anote!

Gaste suas páginas!

Abebere-se de seus princípios!

Cumpra suas orientações!…

E haverá de sair-se muito bem!

Terá:

Na Terra – a seara que planejou no Além!

No Além – as bênçãos semeadas na Terra!


Richard Simonetti

PAZ!