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segunda-feira

Amparo Oculto


Não lamentes, alma boa,
Contratempo que aconteça,
Que a luta não te esmoreça
Nada existe sem valor;
Aquilo que te parece
Um desencanto de vulto
É sempre socorro oculto
Que desponta em teu favor.

Uma viagem frustrada,
Uma festa que se adia,
Uma palavra sombria
Que encerra uma diversão;
O desajuste num carro,
Um desgosto pequenino,
Alteram qualquer destino
Em forma de salvação.

Não chores por bagatelas,
Guarda a fé por agasalho,
Deus te defende o trabalho,
Atuando em derredor;
Contrariedades no tempo,
Quase sempre, em maioria,
É amparo que o Céu te envia
Por bênção do mal menor.


Pelo Espírito: Maria Dolores
Médium: Chico Xavier

terça-feira

Cantiga da Gratidão


O céu te recompense, alma querida,
Porque ouviste o convite do Senhor 
E nos trouxeste paz e luz à vida 
Pela bênção do amor. 

Deus te enriqueça as mãos ternas e ativas, 
Mãos que buscam Jesus no irmão triste e sem nome, 
Dissipando a penúria que o consome 
Ao calor da bondade que cultivas. 

Deus proteja a brandura a que te entregas, 
Quando desculpas de expressão serena 
Aquela mesma voz que te condena, 
Desconhecendo as dores que carregas. 

Deus te abrilhante a ideia justa e boa 
Com que ouves ofensas sem guardá-las, 
Para dizer somente no que falas 
Aquilo que edifica e que abençoa. 

Deus te ampare na fé que te sustém 
Ao enxugar as lágrimas alheias, 
Em tudo quanto inspiras e semeias 
Nas tarefas do bem. 

Deus te guarde na fé que te conduz 
Vencendo tempo e luta, sombra e 
Porque contigo a vida se renova 
Atendendo a Jesus.

*Maria Dolores*

quinta-feira

A Lenda da Rosa


Dizem que quando a Terra começava
A ser habitação de forças vivas,
Nas telas primitivas,
Tudo passara a ser agitação de festa;
As cidades nasciam
Em singelas aldeias na floresta...
A beleza imperava,
O verde resplendia,
Toda a vegetação se espalhava e crescia,
Dando refúgio e proteção
Aos animais,
Do mais fraco ao mais forte...
O progresso ganhava as marcas de alto porte.

No campo, as plantas todas
Respiravam felizes,
Da folhagem no vento à calma das raízes;
Era um mundo de belos resplendores,
Adornado de flores,
Com uma estranha exceção.
Tão-somente, o espinheiro,
Era triste e sozinho
Uma espécie de monstro no caminho,
De que ninguém se aproximava,
Todo feito de pontas agressivas,
Recordando punhais de traiçoeiro corte,
Que anunciavam dor e feridas de morte.

De tanto padecer desprezo e solidão,
Um dia, o espinheiral
Fitou o Azul Imenso e disse em oração:
- Senhor, que fiz de mal
Para ser espancado e escarnecido,
Todos me evitam cautelosamente
Como se eu não devesse haver nascido...
Compadece-te, oh! Pai, da penúria que trago,
Terei culpa das garras que me deste?
Acendes astros mil para a noite celeste,
Vestes a madrugada em mantilhas vermelhas,
Dás lã para as ovelhas,
Inteligência aos cães, cântico às neves,
Estendeste no chão a bondade das fontes
Que deslizam suaves
Na força universal com que desdobras,
A amplitude sem fim dos horizontes,
Em cujo místico esplendor
Falas de majestade, paz e amor...
Não me abandones, Pai, às pedras dos caminhos,
Se posso, não desejo
Oferecer somente espinhos...
Quero servir-te à obra, aspiro a ser perfume,
Inspiração e cor, harmonia e beleza,
Para falar de ti nas leis da Natureza.

Dizem que Deus ouviu a inesperada prece
E notando a humildade e a contrição do espinheiral,
Mandou que, à noite, o orvalho lhe trouxesse
Um prodígio imortal.
Na seguinte manhã, logo após a alvorada,
Por entre exalações maravilhosas,
O homem descobriu, de alma encantada,
Que Deus para mostrar-se o Pai e o Companheiro, 
Atendendo a oração pusera no espinheiro
A primeira das rosas.

*Maria Dolores:Chico Xavier*

segunda-feira

A Subida


Disse-nos o Senhor:
-“Quem quiser encontrar-me
Tome a sua cruz e siga-me onde eu for...”
E um homem que o seguiu, sem queixa e sem alarme

Observou que o lenho o constrangia...
Caminhou, mas não mais na antiga estrada,
A cruz era pesada
Na marcha, dia-a-dia...

Perdeu de vista a risonha paisagem,
Na qual usufruíra o amor de sua gente...
Precisava escalar rude montanha na viagem
E se reconhecia, a sós, agarrando-se à frente.

Embora a cruz lhe desse chagas e cicatrizes,
Conseguiu falar, fraternalmente,
Reconfortando, os tristes e infelizes...
Levantava os caídos,

Doava nova força aos fracos e aos doentes.
Consolava os leprosos esquecidos,
Regenerava os delinqüentes...
Em muitos trechos da subida,

Tratavam-no por louco e davam-lhe pedradas...
Deprimiam-lhe a vida...
Quanto insulto e suplício nas estradas!...
No entanto, ele subia...

Trazia o Cristo em luz na própria mente.
Não tinha acessos de melancolia
E, sim, uma alegria diferente...
Mas chorava, por vezes, de cansaço,

A sentir, sob os pés, o vigor dos espinhos.
Refazia-se, vendo o Azul do Imenso Espaço
E ouvindo a voz do Céu na voz dos passarinhos...
Alcançando, porém, o cimo da montanha 

Notava-se-lhe os pés rasgados e sangrentos,
E o corpo lacerado
De atrozes sofrimentos...
Mesmo assim, agradeceu ao Cristo Amado

A viagem temível...
Para atingir o topo de alto nível...
Chegando ali, porém, vê, com assombro e atenção,
Que a Terra já não tem com ele ou sobre ele

O poder de atração...
Sentia-se envolvido em súbita leveza,
Respirando, feliz, a paz da natureza...
Reconhece que o tronco vertical do grande lenho

Transformara-se em delicado engenho
E que os braços da cruz
Eram asas de luz...
Tentou andar, mas sem querer,

Na alegria que o invade,
O homem que seguira os passos do Senhor,
Planou além, no além, buscando a Imensidade 
Inflamado de amor.

Maria Dolores // Chico Xavier

sábado

DEPRESSÃO


Dizes que sofres angústias
Até mesmo quando em casa,
Que a tua dor extravasa
Nas cinzas da depressão.
Que não suportas a vida,
Nem te desgarras do tédio,
O fantasma, em cujo assédio
Afirma que tudo é vão.

Perto da rua em que moras
Há uma viúva esquecida,
Guarda o avô quase sem vida
E três filhinhos no lar;
Doente, serve em hotel,
Trabalha na rouparia.
Busca o pão de cada dia,
Sem tempo para chorar.

Não longe triste mulher,
Num cubículo apertado,
Chora o esposo assassinado
Que era guarda de armazém...
Tem dois filhinhos de colo.
Por enquanto, ainda não sabe
O que deve fazer da existência.
Espera pela assistência
Dos que trabalham no bem.

Um paralítico cego,
Numa esteira de barbante,
Implora mais adiante
Quem lhe dê água a beber...
Ninguém atende... Ele grita,
Na penúria que o consome,
Tem sede e febre, tem fome,
Sobretudo quer morrer.

Depressão? Alma querida,
Se tens apenas tristeza,
Se te sentes indefesa,
Contra a mágoa e dissabor,
Sai de ti mesma e auxilia
Aos que mais sofrem na estrada.
A depressão é curada
Pelo trabalho do amor.

Espírito Maria Dolores
Médium Chico Xavier

domingo

QUANDO ME DIZES NÃO


Agradeço, senhor
Quando me dizes "não"
Às súplicas indébitas que faço,
Através de oração .

Muitas daquelas dádivas que peço
Estima, concessão, posse, prazer,
Em meu caso talvez fossem espinhos 
Na senda que me deste a percorrer.

De outras vezes, imploro-te favores,
Entre lamentação, choro, barulho.
Mero capricho, simples algazarra
Que me escapam do orgulho...

Existem privilégios que desejo.
Reclamando-te o "sim"
Que, se me florescessem na existência,
Seriam desvantagens contra mim.

Em muitas circunstâncias, rogo afeto,
Sem achar companhia em qualquer parte,
Quando me dás a solidão por guia
Que me inspire a buscar-te.

Ensina-me que estou no lugar certo,
Que a ninguém me ligaste de improviso,
E que desfruto agora o melhor tempo
De melhorar-me em tudo o que preciso.

Não me escutes as exigências loucas,
Faze-me perceber
Que alcançarei além do necessário,
Se cumprir com meu dever.

Agradeço, meu Deus,
Quando me dizes "não"com teu amor
E sempre que te rogue o que não deva,
Não me atendas, senhor!...

Maria Dolores // Chico Xavier

abçs,

quinta-feira

A Busca


A BUSCA

Fita a subida áspera e empedrada
Que se alteia, maciça, à nossa frente,
Carrega a própria cruz na alma cansada
E guarda o coração feliz e crente.

Nas paisagens da senda, não há flores.
Apenas o cascalho se amontoa,
Mas, em torno de ti, os irmãos sofredores
Lembram a paz da fé que os renova e abençoa.

Segue de passo lento... A turba te acompanha...
Companheiros pararam na montanha,
Recusando o trabalho, a dor e a cruz;

Mas sentindo-te os dons no coração amigo,
Ergue-se-ão do pó e seguirão contigo,
Procurando Jesus.

Maria Dolores


Francisco Cândido Xavier
Da obra:Dádivas de Amor
Ditado pelo Espírito Maria Dolores
abçs,

sábado

A Jovem Atriz



A JOVEM ATRIZ

Sala de sanatório. Ampla secretaria.
A jovem funcionária de plantão
Ouve dois cavalheiros da chefia,
Diretores da casa,
Ambos em franca zombaria,
De verbo destilando espinho, lama e brasa,
Criticando uma atriz,
Notada pelos dois de maneira infeliz;
Uma atriz que atuava em peça fescenina,
Mulher quase menina
Que haviam ido ver na noite precedente.
Nisso, entra na sala
Uma pálida moça,
Pobremente vestida,
Revelando no todo a existência sofrida...

A todos cumprimenta gentilmente.
Em seguida,
Procura ouvir a funcionária em frente
E pergunta:
- Como passa meu pai na cela do internato?
Responde a outra,lado a lado:- Vai melhor mas precisa de cuidado...
A recém-vinda exalta de gratidão,
Demonstra o amor filial que traz no coração
E erguendo a velha bolsa agora, continua dizendo:
- Vim pedir à senhora
A conta deste mês...
A outra estuda as notas que se fez, investiga papéis, extrai assentos
E diz, após somar frações e números inteiros:
- O preço total é de novecentos mil cruzeiros.
A menina abre a bolsa,
Preenche um cheque, decisiva e pronta.
E imediatamente paga a conta.
Os chefes aproximam-se mostrando,apreço, cortesia e por sinal,
Eis que um deles indaga:-
Senhorita,
Seu pai, há muito tempo é um doente mental?
-Há seis anos, senhor, vivo eu em ação
Para trazê-lo à recuperação.
Aproveitando a pausa, o outro diretor
Comentou sem piedade:
-A mulher alterou-se, minha filha, e a demência alcançou a humanidade.
Inda agora falávamos aqui
De uma peça que eu vi
No teatro que temos nesta rua...
Chama-se a peça:”A Nova Maravilha”.
Onde uma jovem quase nua,
Mais animal que um ser humano,
A contorcer-se num bailado insano,
Cria tantos convites indecentes
Que, a meu ver
Põe louco qualquer homem deste mundo...
Seu pai decerto viu alguma cousa destas.
Os homens, hoje em dia,
Na mais simples das festas,
Acham loucas assim
E adoecem, por fim,
Neuróticos, cansados, infelizes,
Principalmente olhando essas atrizes.
Essa atriz que vi ontem, aplaudida por loucos marmanjos,
Age em cena
De modo a enlouquecer os próprios anjos,
E ninguém a demite, nem condena...

Porque a menina generosa e humilde
Ali se enternecesse e emocionasse,
Entremostrando lágrimas na face,
O severo censor fez pausa e perguntou:
-Acaso a senhorita
Chegou a ver a peça?
E terá, porventura, aplaudido uma loucura dessa?

Mas a jovem tristonha replicou:
-Senhor,
Não menospreze tanto a minha dor!
Trabalho no teatro honestamente
Para manter aqui meu pai velho e doente...
E em choro convulsivo, esclareceu:
_ essa atriz de que fala... Essa jovem sou eu...


Maria Dolores

Do livro Momentos de Ouro.
Psicografia de Frâncico Cândido Xavier.

bjs,soninha

sexta-feira

Minha Mãe

Maria Dolores


MINHA MÃE


Lembro-te, Mãe, revendo a nossa casa...
O pequeno jardim, o poço, a horta...
O vento brando que transpunha a porta,
Afagando o fogão de lenha em brasa...


Esfregavas a roupa na bacia...
Eu ficava na rede, aos teus desvelos...
Depois, vinhas beijando-me os cabelos,
A embalar-me, cantando de alegria.


Dorme, dorme, prenda minha,
Dorme agora, meu amor,
És a jóia que eu não tinha,
Prenda minha, minha flor!...


Lá no Céu tem três estrelas, prenda minha,
Todas são de prata e luz...
Lá no Céu você me veio, prenda minha,
Por presente de Jesus!...


E lá se foi o tempo, ante as mudanças...
Cresci, fiquei rebelde...Estradas novas...
Entrei no mundo grande, em grandes provas,
Carregando saudades e esperanças...


Hoje, volto a rever-te, mãe querida!...
Quero dizer-te, em minha gratidão,
Que é o amor sempre amor em minha vida,
E a própria vida de meu coração.


Espírito: Maria Dolores
Médium: Francisco Cândido Xavier.
Da obra: Dádivas de Amor

bjs,soninha

*** Desculpem a ausência...
problemas no provedor!