Mostrando postagens com marcador DE.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DE.. Mostrar todas as postagens

sábado

Água - Um tesouro da Natureza

A água no estado líquido cobre de 70 a 71% da superfície do Planeta. Deste total, 97% estão nos oceanos e mares – são águas de elevada concentração de sais, sobretudo o cloreto de sódio –, 2% nas geleiras eternas (situadas nos polos e cordilheiras) e 1% nos rios, lagos e reservatórios subterrâneos. Da pequena parcela de água doce disponível, apenas 0,26% é indicada para o consumo humano. Neste contexto, o Brasil é um país privilegiado, pois abriga entre 12 e 15% da reserva de água doce planetária.

A água é um mineral constituído de dois átomos de hidrogênio (H) e um de oxigênio (O), formando a molécula H2O. A despeito da simplicidade da molécula, as propriedades da água são, praticamente, ilimitadas. Destaca-se entre elas a capacidade de dissolver um número significativo de substâncias, condição que a classifica como solvente universal. Esta propriedade é fundamental para o surgimento e a manutenção da vida. No sangue, por exemplo, várias substâncias, como sais minerais, vitaminas, açúcares, entre outras, são transportadas dissolvidas na água. O corpo humano possui aproximadamente 80% de água.

Segundo a Doutrina Espírita, a propriedade da água de ser um solvente universal está relacionada aos princípios de afinidade presentes em todos os corpos e substâncias do Universo:

A composição e a decomposição dos corpos se operam em virtude do grau de afinidade que os princípios elementares guardam entre si. A formação da água, por exemplo, resulta da afinidade recíproca que existe entre o oxigênio e o hidrogênio; mas, se se puser em contato com a água um corpo que tenha com o oxigênio mais afinidade do que a que este tem com o hidrogênio, a água se decompõe; o oxigênio é absorvido, o hidrogênio torna-se livre e já não haverá água.

Para atender a esta e a outras inúmeras finalidades, a água é usualmente encontrada nos estados sólido, líquido e gasoso, mas passa facilmente de um estado físico para outro, conforme as circunstâncias e necessidades.

Por ser um elemento vital da organização da Natureza, os Espíritos construtores, que sempre agem sob a segura direção do Cristo, construíram inúmeros reservatórios hídricos na Terra, que são alimentados pelo Ciclo da Água (ou Ciclo Hidrológico), um movimento contínuo mantido ao longo das eras. Este Ciclo pode ser assim resumido: 

1) evaporação de águas líquidas (rios, lagos, lagoas, mares, regiões glaciais, lençóis de gelo, vegetais e transpiração dos animais) da superfície planetária que adquirem a forma de vapor d’água; 

2) agregação dos vapores de água e formação de nuvens na atmosfera; 

3) condensação dos vapores de água nas nuvens que ficam eletricamente carregadas; 

4) esfriamento da atmosfera no local onde estão as nuvens; 

5) precipitação da água das nuvens na forma de chuva; 

6) retorno da água aos reservatórios naturais do Planeta, infiltrando-se uma parte no solo para formar/alimentar os lençóis freáticos (ou subterrâneos); 

7) brotamento de águas subterrâneas na superfície, nutrindo nascentes de rios e fontes.

O Espiritismo ensina, em consonância com os avanços da Ciência, que, diferentemente do que acontece hoje, no início da formação da Terra

As águas, pouco profundas, cobriam quase toda a superfície do globo, à exceção das partes soerguidas, formando terrenos baixos frequentemente alagados. [...] Os espessos vapores aquosos que se elevavam de todas as partes da imensa superfície líquida recaíam em chuvas abundantes e quentes, que obscureciam o ar. [...]2

Com o passar do tempo, o Ciclo da Água estabilizou-se, fornecendo condições ideais para o surgimento da biodiversidade das espécies. Contudo, é lamentável constatar que, na atualidade, graves problemas interferem diretamente no funcionamento desse Ciclo, afirmam cientistas e estudiosos do mundo inteiro. As pesquisadoras brasileiras, Fátima Casarin e Monica dos Santos, destacam alguns fatores prejudiciais: 
[...] Áreas imensas dos solos foram impermeabilizadas por construções, calçadas e asfalto. Reservas como piscinas, barragens, caixas d’água e cisternas impedem a infiltração da água no solo e o reabastecimento de aquíferos (grandes reservatórios de água que ficam em camadas profundas do solo). [...]

Associa-se a essa intranquila situação o uso indiscriminado (e excessivo) de água nas irrigações agrícolas e pecuárias, assim como no consumo individual e coletivo. Em razão da gravidade do assunto, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), através da Resolução 47/193, de 21 de fevereiro de 1993, declarou 22 de março, de cada ano, como o Dia Mundial da Água (DMA), integrando um dos itens da Agenda 21 – um dos principais resultados da conferência Eco-92, ocorrida no Rio de Janeiro, em 1992. Este documento estabelece o compromisso de cada país refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar na solução de problemas socioambientais. O Espírito André Luiz destaca, a propósito:

– Na Terra quase ninguém cogita seriamente de conhecer a importância da água. Em “Nosso Lar” [Colônia espiritual de transição], contudo, outros são os conhecimentos. Nos círculos religiosos do planeta, ensinam que o Senhor criou as águas. Ora, é lógico que todo serviço criado precisa de energias e braços para ser convenientemente mantido. Nesta cidade espiritual, aprendemos a agradecer ao Pai e aos seus divinos colaboradores semelhante dádiva. Conhecendo-a mais intimamente, sabemos que a água é um veículo dos mais poderosos para os fluidos de qualquer natureza. [...]

Estudos confiáveis demonstram a existência de regiões no mundo onde há severa escassez de água, com o agravante de que

[...] a pouca água disponível costuma ser de pior qualidade, já que os poluentes estão menos diluídos e há riscos de a água do mar invadir as reservas subterrâneas naturais, tornando-as salgadas. Com isso não só o homem sofre, mas as plantas e animais são prejudicados.

O consumo abusivo de água é outro fator complicador. Por exemplo, na África o índice de disponibilidade de água é muito crítico, considerando que a média diária de consumo por pessoa, em vários países do continente, é de 10 a 15 litros, enquanto que na cidade de Nova Iorque um indivíduo chega a utilizar dois mil litros de água por dia.Na Turquia,

o segundo maior lago do país – o Tuz – teve o seu tamanho reduzido devido a captação ilegal de água para irrigação.Na Grécia, as plantas da planície de Argolis estão ressecadas pela entrada de água salgada nos lençóis subterrâneos.

Retornando a André Luiz, transcrevemos as seguintes considerações de Lísias, dedicado enfermeiro, habitante de Nosso Lar:

– O homem é desatento há muitos séculos [...]; o mar equilibra-lhe a moradia planetária, o elemento aquoso fornece-lhe o corpo físico, a chuva dá-lhe o pão, o rio organiza-lhe a cidade, a presença da água oferece-lhe a bênção do lar e do serviço; entretanto, ele sempre se julga o absoluto dominador do mundo, esquecendo que é filho do Altíssimo, antes de qualquer consideração. [...]

Um amplo processo de conscientização ecológica precisa ser desenvolvido no mundo, sobretudo quando se constata que 35% da população mundial têm escasso acesso à água. Pela educação, chegará o dia em que a mentalidade humana saberá preservar a água como tesouro da Natureza e terá alcançado a compreensão de

[...] que a água, como fluido criador, absorve, em cada lar, as características mentais de seus moradores. [...] Será nociva nas mãos perversas, útil nas mãos generosas e, quando em movimento, sua corrente não só espalhará bênção de vida, mas constituirá igualmente um veículo da Providência Divina, absorvendo amarguras, ódios e ansiedades dos homens, lavando-lhes a casa material e purificando-lhes a atmosfera íntima.

Paz a todos!!

terça-feira

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

III – A Doutrina E Seus Contraditores

A Doutrina Espírita, como toda novidade, tem seus adeptos e seus contraditores. Tentaremos responder a algumas das objeções destes últimos, examinando o valor das razões em que se apOiam, sem termos, entretanto, a pretensão de convencer a todos, pois há pessoas que acreditam que a luz foi feita somente para elas. Dirigimo-nos às pessoas de boa fé, sem idéias preconcebidas ou posições firmadas mas sinceramente desejosas de se instruírem, e lhes demonstraremos que a maior parte das objeções que fazem à doutrina provêm de uma observação incompleta dos fatos e de um julgamento formado com muita ligeireza e precipitação.

Recordaremos inicialmente, em breves palavras, a série progressiva de fenômenos que deram origem a esta doutrina.

O primeiro fato observado foi o movimento de objetos; designaram-no vulgarmente com o nome de mesas girantes ou dança das mesas. Esse fenômeno, que parece ter sido observado primeiramente na América, ou melhor, que se teria repetido nesse país, porque a História prova que ele remonta à mais alta Antiguidade, produziu-se acompanhado de circunstâncias estranhas, como ruídos insólitos e golpes desferidos sem uma causa ostensiva, conhecida. Dali, propagou-se rapidamente pela Europa e por outras partes do mundo; a princípio provocou muita incredulidade, mas a multiplicidade das experiências em breve não mais permitiu que se duvidasse da sua realidade.


Se esse fenômeno se tivesse restringido ao movimento de objetos materiais, poderia ser explicado por uma causa puramente física. Estamos longe de conhecer todos os agentes ocultos da Natureza e mesmo todas as propriedades dos que já conhecemos; a eletricidade, aliás, multiplica diariamente ao infinito os recursos que oferece ao homem e parece dever iluminar a ciência com uma nova luz. Não haveria, portanto, nada de impossível em que a eletricidade, modificada por certas circunstâncias, ou qualquer outro agente desconhecido, fosse a causa desse movimento. A reunião de muitas pessoas, aumentando o poder de ação, parecia dar apoio a essa teoria porque se poderia considerar essa reunião como uma pilha múltipla, em que a potência corresponde ao número de elementos.

O movimento circular nada tinha de extraordinário: pertence à Natureza. Todos os astros se movem circularmente; poderíamos, pois, estar em face de um pequeno reflexo do movimento geral do Universo; ou, melhor dito, uma causa até então desconhecida poderia produzir acidentalmente, nos pequenos objetos e em dadas circunstâncias, uma corrente análoga à que impulsiona os mundos.

Mas o movimento não era sempre circular. Freqüentemente era brusco, desordenado, o objeto violentamente sacudido, derrubado, conduzido numa direção qualquer e, contrariamente a todas as leis da estática, suspenso e mantido no espaço. Não obstante, nada havia ainda nesses fatos que não pudesse ser explicado pelo poder de um agente físico invisível. Não vemos a eletricidade derrubar edifícios, arrancar árvores, lançar a distância os corpos mais pesados, atraí-los ou repeli-los?

Supondo-se que os ruídos insólitos e os golpes não fossem efeitos comuns da dilatação da madeira ou de qualquer outra causa acidental, poderiam ainda muito bem ser produzidos por acumulação do fluido oculto. A eletricidade não produz os ruídos mais violentos?
Até esse momento, como se vê, tudo pode ser considerado no domínio dos fatos puramente físicos e fisiológicos. E sem sair dessa ordem de idéias, ainda haveria matéria para estudos sérios, digna de prender a atenção dos sábios. Por que não aconteceu assim? É penoso dizer, mas o fato se liga a causas que provam, entre mil outras semelhantes, a leviandade do espírito humano. De início, a vulgaridade do objeto principal que serviu de base às primeiras experiências talvez não lhe seja estranha.

Que influência não teve uma simples palavra, muitas vezes, sobre coisas mais graves! Sem considerar que o movimento poderia ser transmitido a um objeto qualquer, prevaleceu a idéia da mesa, sem dúvida por ser o objeto mais cômodo e porque todos se sentam mais naturalmente em torno de uma mesa que de qualquer outro móvel. Ora, os homens superiores são às vezes tão pueris que não seria impossível certos espíritos de elite se julgarem diminuídos, se tivessem de ocupar-se daquilo que se convencionaria chamar a dança das mesas. É mesmo provável que, se o fenômeno observado por Galvani o tivesse sido por homens vulgares e caracterizado por um nome burlesco, estivesse ainda relegado ao lado da varinha mágica. Qual o sábio que não se teria julgado diminuído ao ocupar-se da dança das rãs’?

Alguns, entretanto, bastante modestos para aceitarem que a Natureza poderia não lhes ter dito a última palavra, quiseram ver para tranqüilidade de consciência. Mas aconteceu que o fenômeno nem sempre correspondeu à sua expectativa, e por não se ter produzido constantemente, à sua vontade e segundo a sua maneira de experimentação, concluíram eles pela negativa. Malgrado, porém, a sua sentença, as mesas, pois que há mesas, continuam a girar, e podemos dizer com Galileu: “Contudo, elas se movem”. Diremos ainda que os fatos se multiplicaram de tal modo que têm hoje direito de cidadania, e que se trata apenas de encontrar para eles uma explicação racional.

Pode-se induzir qualquer coisa contra a realidade do fenômeno pelo fato de ele não se produzir sempre de maneira idêntica, segundo a vontade e as exigências do observador? Os fenômenos de eletricidade e de química não estão subordinados a determinadas condições e devemos negá-los porque não se produzem fora delas? Devemos estranhar que o fenômeno do movimento de objetos pelo fluido humano tenha também as suas condições e deixe de se produzir quando o observador, firmado no seu ponto de vista, pretende fazê-lo seguir ao seu capricho ou sujeitá-lo à leis dos fenômenos comuns, sem considerar que, para fatos novos, pode e deve haver novas leis? Ora, para conhecer essas leis, é necessário estudar as circunstâncias em que os fatos se produzem e esse estudo não pode ser feito sem uma observação perseverante, atenta, e por vezes bastante prolongada.
Mas, objetam algumas pessoas, há freqüentemente fraudes visíveis. Perguntaremos inicialmente se estão bem certas de que há fraudes e se não tomaram por fraudes efeitos que não conseguiram apreender, mais ou menos como o camponês que tomava um sábio professor de física, fazendo experiências, por um destro escamoteador. E mesmo supondo-se que as fraudes tenham ocorrido algumas vezes, seria isso razão para negar o fato? Deve-se negar a Física porque há prestidigitadores que se enfeitam com o título de físicos? É necessário, ao demais, considerar o caráter das pessoas e o interesse que elas poderiam ter em enganar. Seria tudo, então, simples brincadeira? Pode-se muito bem brincar um instante, mas uma brincadeira indefinidamente prolongada seria tão fastidiosa para o mistificador como para o mistificado. Haveria, além disso, uma mistificação que se propaga de um extremo a outro do mundo e, entre as pessoas mais graves, mais veneráveis e esclarecidas, alguma coisa pelo menos tão extraordinária quanto o próprio fenômeno.
Allan Kardec