sexta-feira

Caso engraçado: Medo


Paz e Luz!

Caridade Essencial


"E a caridade é esta: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o principio ouvistes; que andeis nele." - João. (II JOÃO, 6.)

Em todos os lugares e situações da vida, a caridade será sempre a fonte divina das bênçãos do Senhor.

Quem dá o pão ao faminto e água ao sedento, remédio ao enfermo e luz ao ignorante, está colaborando na edificação do Reino Divino, em qualquer setor da existência ou da fé religiosa a que foi chamado.

A voz compassiva e fraternal que ilumina o espírito é irmã das mãos que alimentam o corpo.

Assistência, medicação e ensinamento constituem modalidades santas da caridade generosa que executa os programas do bem. São vestiduras diferentes de uma virtude única. Conjugam-se e completam-se num todo nobre e digno.

Ninguém pode assistir a outrem, com eficiência, se não procurou a edificação de si mesmo; ninguém medicará, com proveito, se não adquiriu o espírito de boa-vontade para com os que necessitam, e ninguém ensinará, com segurança, se não possui a seu favor os atos de amor ao próximo, no que se refira à compreensão e ao auxílio fraternais.

Em razão disso, as menores manifestações de caridade, nascidas da sincera disposição de servir com Jesus, são atividades sagradas e indiscutíveis. Em todos os lugares, serão sempre sublimes luzes da fraternidade, disseminando alegria, esperança, gratidão, conforto e intercessões benditas.

Antes, porém, da caridade que se manifesta exteriormente nos variados setores da vida, pratiquemos a caridade essencial, sem o que não poderemos efetuar a edificação e a redenção de nós mesmos. Trata-se da caridade de pensarmos, falarmos e agirmos, segundo os ensinamentos do Divino Mestre, no Evangelho. É a caridade de vivermos verdadeiramente nEle para que Ele viva em nós. Sem esta, poderemos levar a efeito grandes serviços externos, alcançar intercessões valiosas, em nosso benefício, espalhar notáveis obras de pedra, mas, dentro de nós mesmos, nos instantes de supremo testemunho na fé, estaremos vazios e desolados, na condição de mendigos de luz.

Emmanuel Espírito
Médium Chico Xavier
Livro Vinha de Luz

Paz a todos!

Visão Espírita da Bíblia


15 - EXPRESSÕES E PALAVRAS DESFIGURADAS NA BÍBLIA

Estamos vivendo uma fase de intensa reformulação dos textos bíblicos. A "Palavra de Deus" vem sendo alterada, modificada e muitas vezes arranjada, de acordo com os interesses dos homens. Já existe mesmo uma tradução da Bíblia que se diz aceitável pelos materialistas. A velha discussão sobre a Vulgata Latina levou os novos tradutores a recorrerem ao texto hebraico.

A tradução clássica do padre Figueiredo, segundo a Vulgata, é acusada de suspeitas, preferindo-se a do padre Almeida, que como vimos, também já foi modificada. O religioso esclarecido sabe muito bem que as versões antigas da Bíblia estão superadas. Mas há os que nada entendem e consideram o velho livro como intocável e imutável. Esses acreditam cegamente nas pretensas condenações ao Espiritismo. Para eles, só podemos repetir as palavras de Jerônimo de Praga, quando uma velhinha beata levou mais uma acha de lenha para a fogueira em que o queimaram: "Sancta Simplicitas". A tradução dinamarquesa da Bíblia não trata dos dons espirituais. O teólogo Haraldur Nielsson explica-nos a razão dessa aparente discrepância. Pasmem os defensores do dogma da graça, que consideram Deus como chefe do partido a que pertencem! O tradutor categorizado da Bíblia para o islandês, o rev. Nielsson, que fez a tradução a serviço da Sociedade Bíblica Inglesa, declara: "No texto grego está a palavra Espíritos e não a expressão Dons Espirituais". E acrescenta: "Em muitas traduções da Bíblia, esta passagem foi verificada de maneira confusa apesar de não haver a menor dúvida quanto à verdadeira significação dos termos gregos do texto original: "epei zelotai este pneumaten".

Nielsson adverte ainda que os tradutores e revisores da Bíblia nem sempre tiveram a coragem de traduzir com exatidão os textos originais que se referem claramente à comunicação dos Espíritos. E faz, corretamente, uma grave denúncia: "Os teólogos prenderam os seus sistemas em pesadas e estreitas cadeias". A Bíblia, estudada segundo o espírito que vivifica, sem os prejuízos da letra que mata, revela a sua face espirítica e por tanto mediúnica, como o demonstra o rev. Nielsson e como afirmou Kardec. Trataremos mais amplamente dos Dons Espirituais.

16-EPÍSTOLAS TESTEMUNHAM MEDIUNIDADE APOSTÓLICA
A expressão Dons Espirituais, como a expressão Espírito Santo, não aparece nos textos bíblicos originais. O rev. Nielsson declara, com sua autoridade de teólogo e traduzir da Bíblia: "Os termos da Vulgata Latina, spiritum bonum, correspondem exatamente aos dos originais gregos. A Vulgata não fala absolutamente em Espírito e Espírito Santo". Isso, no tocante ao Novo Testamento, pois no Velho só se fala em Espírito e Espírito de Deus. Quanto aos Dons Espirituais, a situação é a mesma. Essa expressão aparece apenas nos textos paulinos, com a palavra grega charismata, que significa literalmente mediunidade, ou seja, a graça de ser intermediário entre os Espíritos e os Homens. 
Os estudos do Rev. Haraldur Nielsson, enfeixados no livrinho O Espiritismo e a Igreja, recentemente lançado, esclarecem bem este assunto. Nielsson nos mostra, com sua imensa autoridade, que a palavra transe vem da Bíblia, derivando diretamente de êxtase. Eis uma das suas afirmações: "O próprio Paulo nos diz que estava freqüentemente em transe. O apóstolo Pedro conta-nos a mesma coisa". E a propósito de João e sua advertência para examinarmos "se os Espíritos são de Deus", lembra que Paulo também adverte que: "... ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz anátema contra Jesus..." (l Cor. XII:3). 

A mediunidade era usada entre os judeus e entre os cristãos primitivos, e Nielsson acentua textualmente: "Segundo a concepção dos tempos apostólicos, os Espíritos podiam ser bons ou maus, muito evoluídos ou inferiores e atrasados". Isto explica as advertências apostólicas, pois nas assembleias cristas manifestavam-se também os maus Espíritos, amaldiçoando o Cristo para defenderem o Judaísmo ortodoxo ou mesmo para defenderem as religiões politeístas, que também usavam a mediunidade. 

Vemos assim como são inúteis os ataques ao Espiritismo em nome da Bíblia, que é um livro mediúnico. E como os espiritistas e o Espiritismo nada têm a temer da Bíblia. E preciso apenas mostrar a verdade sobre a Bíblia, separar o que há nela de humano e divino, não aceitá-la de olhos fechados, dogmaticamente, como "a palavra de Deus", o que é simples absurdo proveniente de épocas de fanatismo. A Bíblia é muito valiosa para os espiritistas estudiosos, porque é o maior e mais vigoroso testemunho da verdade espírita na Antiguidade. ''


17 - COMO OS APÓSTOLOS FAZIAM AS SUAS SESSÕES ESPÍRITAS 

Qual era o culto dos cristãos na Igreja Primitiva? Que responda o apóstolo Paulo, na l Epístola aos Coríntios. Nas suas instruções para a celebração da ceia, (XI: 17-34), Paulo nos mostra que esta era simbólica e memorial. Não se tratava propriamente de uma ceia, mas de uma cerimônia religiosa, e os participantes já deviam ter tomado em casa o seu alimento, para não perturbarem a reunião. Comia-se o pão e bebia-se o vinho. Um pequeno pedaço de pão e uma pequena taça de vinho, em memória do Senhor. Veja-se a advertência do vers. 34: "Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo". 


A cerimônia simbólica de pão e de vinho não era privativa dos cristãos. Os próprios cananitas a usavam, a ceia maçônica primitiva se constituía dela, e as religiões idólatras a praticavam para os pagãos; o pão representava a deusa Ceres e o vinho o deus Dionísio. Para os cristãos, o pão representava a matéria e o vinho o espírito. A união do espírito com a matéria produzia a "comunhão", que tanto pode ser a encarnação do espírito quanto a incorporação, o nascimento do ser humano ou a união de espírito como o profeta para a transmissão da comunicação mediúnica. 

Os profetas eram chamados "pneumáticos", na expressão grega do texto, que quer dizer: cheios de espírito. Havia dois tipos de espíritos: os de Deus, que eram bons, e os do Mundo, que eram maus. A respeito das comunicações, Paulo é incisivo:

 "A manifestação do espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso". Reunidos os pneumáticos à mesa, em ordem, não se devia permitir o tumulto. Paulo avisa: "Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem". Do Cap. XI ao XIV, Paulo ensina como se fazia a reunião "pneumática" da Igreja Primitiva, e essas regras são as mesmas das sessões mediúnicas de hoje. 


O dogmatismo desfigurou a pureza do texto, através de interpretações errôneas ou capciosas. Mas, apesar disso, o texto conserva o sentido verdadeiro, mesmo nas traduções atualizadas. As citações acima são da tradução de Almeida, na recente edição da Sociedade Bíblica do Brasil, na qual foi introduzida a palavra "médium". O estudo das expressões de Paulo nessa epístola, à luz dos estudos históricos e em confronto com todo o contexto escriturístico, mostra que os apóstolos e os cristãos primitivos faziam sessões espíritas. E mostra mais: que nessas sessões, como nas atuais, manifestavam-se espíritos bons e maus; aqueles, dando instruções e estes, necessitando de orientação espiritual. Para esconder sua verdade, foram necessárias as "pesadas e estreitas cadeias" de que fala o rev. Haraldur Nielsson em seu livro O Espiritismo e a Igreja.



J. Herculano Pires
Paz e Luz

terça-feira

Alvíssaras de Alegrias

Os costumes promíscuos, frutos das guerras e dos ódios incessantes, geraram o desvario das massas.

Sem qualquer apoio ou perspectiva de melhorias, o povo consumido pelo desespero estava mergulhado na treva e não mais vivia, apenas sobrevivendo cada dia, cada hora, sem projeto algum para o futuro.

De um lado, a falsa religiosidade, preocupada mais com a aparência do que com o profundo conteúdo espiritual, caracterizava-se pelo formalismo pusilânime, enquanto as necessidades asfixiantes do povo armavam-no de ódio e de ferocidade.

Os infelizes cansados das injustiças, que já haviam criado no passado o partido dos zelotes, daqueles que buscavam preservar os códigos ancestrais, violentados pelos romanos, agora abriam uma ala para os que desejavam desforço, cometendo hediondos crimes, mesmo à luz do dia, contra os seus contemporâneos infiéis...

Israel encontrava-se desestruturado, contorcendo-se entre as garras férreas da águia romana, da sordidez dos seus governantes ignóbeis e da indiferença dos poderosos que adquiriam direito à comodidade a peso de ouro.

As pessoas, antes sonhadoras e gentis, que aguardavam o Messias, transformaram-se na multidão aturdida e desenfreada nas suas paixões, que se atiravam sobre o espólio das gerações vencidas.

Apesar de tudo, pairava uma psicosfera de ternura como ligeira brisa que carreasse aromas suaves e leve expectativa de alegria no ar.

Sem saberem compreender o que sucedia, muitos infelizes ainda confiavam em Deus e humildes trabalhadores honravam os seus deveres.

Ocorre que a Terra estava sob tênues claridades do Céu que anunciavam a eliminação das sombras.

Sempre surgiam sonhadores que afirmavam a chegada do justiceiro e se armavam, sendo logo vencidos, dizimados, sem qualquer compaixão, pelos dominadores.

Naqueles dias, subitamente as aragens da esperança começaram a cantar nos corações expectantes.

Ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo. No entanto, desde o momento quando o Batista anunciou que aquela era a hora do arrependimento e da renovação, algo realmente começou a suceder.

Desde as terras de Betfagé, às margens frescas do Jordão, e dali à aridez do deserto e ao mar Morto, visitando as pradarias e ultrapassando as montanhas, alguma ocorrência especial alterava a paisagem humana...

Roma estava acostumada àquele povo tumultuado e rebelde, teimoso e bulhento, silenciando as suas contínuas revoltas com banhos de sangue...

Ele era simples e puro como o lírio do campo e despido de atavios como uma espada nua.

Quem O tivesse visto e ouvido não conseguiria ser mais o mesmo, nem olvidar aquele momento, aguardando os longes tempos para O entender e O seguir, caso não dispusesse de resistências morais para fazê-lo a partir daquele instante.

A Sua palavra penetrava o cerne do ser como o perfume do nardo que impregna a superfície que acaricia.

Era natural que, onde aparecesse, a patética do sofrimento também se apresentasse.

Sucediam-se como ondas eriçadas pelo vento, as multidões que desejavam o seu contato, o seu benefício, a dúlcida carícia do seu terno olhar, que diminuía o fogo das aflições.

Preocupados com o corpo, nem sempre O ouviam realmente, anelando apenas por escutar a interrogação: - Que queres que eu te faça?

Ele não viera exatamente para ser remendão de corpos despedaçados, mas fazia-se necessário que O vissem agir em nome de Deus, que recuperasse aquelas formas orgânicas que iriam perecer depois, a fim de que tivessem despertada a fé na imortalidade.

Bem poucos desejavam realmente receber o pão da vida e a água que dessedenta para sempre, embriagando-se na perene luz do conhecimento que é o suporte vigoroso para a fé inabalável.

Mas a Sua fama crescia na razão direta dos Seus feitos, da Sua incomparável bondade, da Sua compaixão.

Ninguém jamais amara daquela maneira, falara com aquele tom de voz, convivera com os deserdados do mundo com a mesma naturalidade...

Os fariseus souberam que Ele silenciara os saduceus e, tomados de cólera, que é o recurso dos pigmeus morais diante dos gigantes espirituais, buscaram-nO, e um sacerdote pusilânime, para O tentar, perguntou-lhe:

- Qual o mandamento maior, aquele que devemos seguir?

A luz penetrante dos Seus olhos desnudou o hipócrita, enquanto docemente respondeu:

- Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, acima de todas as coisas.

O atormentado fariseu de sentimentos corroídos pela inveja redarguiu:

-Isto sabemos nós. Como porém, amar ao que não se vê, não se compreende, não se sente?

Num relampaguear de emoção, Ele aduziu:

- Amando ao próximo como a si mesmo, assim sintetizando toda a Lei e todos os profetas.

O soez inquiridor, porém, não queria a verdade, mas a discussão inútil com o sarcasmo no qual era mestre.

Voltou, então, a interrogar:

- Que é amar ao próximo? Como fazê-lo, sendo ele um estranho?

Houve um silêncio profundo, prenunciador da sinfonia da gentileza:

- O próximo – esclareceu com ternura – são todos os seres humanos, filhos do Único Pai, sem distinção de classe ou de cor, de credo ou de raça.

- Ante a impossibilidade de amar-se ao Pai, que transcende a qualquer entendimento, respeitar-lhe os filhos que lhe conduzem a herança e caminham ao nosso lado.

Amá-lo, implica em considerá-lo irmão, compreendendo-lhe as necessidades e buscando supri-las, dispensando-lhe carinho e tolerância e fazendo-lhe tudo quanto gostaria de receber de outrem.

Quando o amor se exterioriza do coração, o Pai alberga ambos, aquele que ama e aqueloutro que lhe frui o afeto, na sua incomparável alegria.

O amor ergue, quando o outro tomba, compadece-se, quando defronta o erro, acompanha o solitário, ajudando-o, e enriquece de ternura todos aqueles que abraça, por maior que seja ao carência que os devasta.

No amor ao próximo, que é o eu no outro, a vida estua e a paz repousa no coração.

Não é necessário ver para amar, bastando compreender que ninguém jamais se realiza a sós, nem se completa se não der um sentido de solidariedade à existência...

Doces melodias e vozes inarticuladas cantavam na pauta grandiosa da Natureza.

Logo após, completou:

-Então, não existirão inimigos, porque todos aqueles que se prazer'>comprazerem nessa infeliz condição serão também amados.

As alvíssaras de luz e alegrias do Reino dos Céus rompiam a noite dos tempos de então para todos os tempos do futuro.
Amélia Rodrigues Espírito
Médium Chico Xavier

Visão Espírita da Bíblia


12 - JEOVÁ DÁ LIÇÕES SOBRE FORMAS DE MEDIUNIDADE 
Jeová ou lave, o Deus de Israel, como já vimos anteriormente, era o Espírito Guia do Povo Hebreu. Para os povos antigos, os Espíritos eram Deuses, e o Deus de cada povo era a Divindade Suprema. Esse o motivo por que Jeová se apresentava ao seu povo como se fosse o próprio Deus único. E como se apresentava ele? Através da mediunidade, ensinando aos homens rudes do tempo as verdades espirituais que deveriam frutificar no futuro. É por isso que encontramos, nas páginas da Bíblia, não só o relato de fenômenos espíritas ocorridos com o povo hebreu, mas também ensinamentos precisos e claros sobre a mediunidade.

Logo após os episódios que comentamos, com fenômenos de materialização e de comunicações, o Livro dos Médiuns fornece-nos outros, em que vemos Jeová ensinar que a mediunidade tem várias formas, como o ensina hoje o Espiritismo. A Bíblia está cheia desses ensinos, que só não vêem os cegos ou os que não querem ver. Basta o leitor ler a Bíblia, de qualquer tradução, católica ou protestante, no Livro de Números, capítulo XII. Pode ler todo o capítulo, ou apenas os versículos 5 a 8. Nestes versículos, Jeová dá aos hebreus uma das lições que só muito mais tarde apareceria de novo, mas então no Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Vejamo-la.
Miriam e Aarão falavam mal de Moisés, por haver ele tomado uma nova mulher, de origem cusita (era a mulher negra de Moisés). Ora, Jeová não gostou disso e subitamente "desceu da nuvem", para repreende-los. Descer da nuvem é materializar-se, pois a nuvem é simplesmente a formação de ectoplasma, como a Bíblia deixa bem claro nos seus relatos. Imagina-se o Senhor do Universo, o Deus-Pai do Evangelho, fazendo esse papel de alcoviteiro! Seria absurdo tomarmos esse Jeová, sempre imiscuído nos assuntos domésticos, pelo próprio Deus! Como espírito-guia, podemos compreendê-lo. E é como espírito-guia que ele repreende os maldizentes, castiga Miriam, mas antes ensina: 

Primeiro, diz ele que pode manifestar-se aos profetas (-médiuns) por meio de visão (da vidência) ou de sonhos. Depois, lembrando que Moisés é o seu instrumento para direção do povo, esclareceu: "Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa", acrescenta: "Boca a boca fale com ele, claramente, e não por enigmas". Cinco formas da mediunidade figuram no ensino bíblico: I) a de vidência; 2) a de desprendimento, ou sonambúlica; 3) a de materialização; 4) a de voz-direta; e 5) a de audiência. O próprio Jeová ensinava a mediunidade, como o apóstolo Paulo, em l Coríntios, ensinaria mais tarde a fazer uma sessão mediúnica. 

13 – DEUTERONÔMIO CONFIRMA MEDIUNIDADE DE MOISÉS 
Quem conhece o Deuteronômio, livro Bíblico sempre citado contra o Espiritismo, sabe que os seus melhores episódios são de ordem declaradamente mediúnica. O próprio Moisés é constantemente citado como "mediador entre Deus e o povo". A palavra "médium" é moderna, mas quer dizer o mesmo que "mediador". A modernização dos textos bíblicos, feita por várias igrejas, chegou a incluir a palavra "médium" numa tradução clássica da nossa língua, mas somente quando aplicada para combater o Espiritismo. Nenhum revisor sagrado das nossas traduções clássicas foi capaz da necessária coerência, substituindo a palavra "mediador", que se refere a Moisés, pela "perigosa" palavrinha espírita. Mas o leitor perspicaz, mesmo que não seja espírita, logo percebe a manobra. 

O capítulo V do Deuteronômio é inteiramente mediúnico. Mas convém lembrar que os sucessos desse capítulo são melhor compreendidos quando lemos o Êxodo, caps. 18 a 20. Nos versículos 13a 16, do Cap. 18, vemos Moisés diante do povo, para ser o mediador, o intérprete, - mas na verdade o médium, -entre Deus e o povo. Nos versículos 22 a 31, Cap. X do Deuteronômio, temos uma bonita descrição de conhecidos fenômenos mediúnicos: o monte Horebe envolto em chamas, a nuvem de fluidos ectoplásmicos (materializantes), e a voz-direta de Jeová, que falava do meio do fogo, sem se apresentar ao povo. E Moisés, como sempre, servindo de intermediário, na sua função mediúnica. Por fim, Jeová recomenda a Moisés que mande o povo embora, mas permaneça com ele, para receber as demais instruções. (Vers. 31, Cap. 5 de Deut.). 
No famoso Cap. 18 de Deuteronômio, tão citado contra o Espiritismo, logo após os versículos das proibições, temos a promessa de Jeová, de que suscitará um grande profeta para auxiliar e orientar o povo. Como fazia com Moisés, o próprio Jeová promete que porá as suas palavras na boca desse novo médium. Não obstante, sabendo que todo médium está sujeito a envaidecer-se e dar entrada a espíritos perturbadores, Jeová determina que o profeta seja morto: "se falar em nome de outros deuses". 

Esta passagem (vers. 20 do Cap. XVIII) é uma confirmação bíblica do ensino espírita de que, naquele tempo, os espíritos eram chamados "deuses". Jeová era espíritoguia do povo hebreu, e por isso considerado como o seu deus, o único verdadeiro. Mas os profetas de Jeová podiam receber outros deuses, como Baal, Apoio ou Zeus, pelo que a proibição bíblica nesse sentido é terrível e desumana, como podemos ver nos textos. A evolução espiritual do povo hebreu permitiria a Jesus vir corrigir esses abusos e substituir a concepção bárbara de Deus dos Exércitos pela concepção evangélica do Deus-Pai, cheio de amor com todas as criaturas.

14 - COMO OS HOMENS CONSEGUEM AMOLDAR A PALAVRA DE DEUS 
Entre as curiosas contradições dos que aceitam a Bíblia como a palavra de Deus, podemos citar o caso das alterações do texto, com a finalidade de adaptá-lo a interesses sectários. Essas alterações vêm de longe e constituem um dos campos mais interessantes dos estudos bíblicos. Kardec menciona, no capítulo quarto de O Evangelho Segundo o Espiritismo, uma referência livre de Jó à reencarnação, que aparece modificada na tradução católica de Sacy (francesa), na tradução protestante de Osterwald e na tradução da Igreja Ortodoxa Grega. Nesta última, que é a mais próxima do texto original, o princípio da reencarnação está evidente. 

Outra citação de Kardec, no mesmo capítulo, é de Isaías (Cap. 26, vers. 19) em que a expressão bíblica é bastante clara: "os teus mortos viverão; os meus, a quem deram vida, ressuscitarão". Essa passagem, como outras, é adaptada nas traduções, para esconder a crença dos profetas na reencarnação. O texto de Jó (Cap. 15, vers. 10-14), aparece desta maneira na versão grega ortodoxa: "Quando o homem está morto, vive sempre; findando-se os dias da minha existência terrestre, esperarei, porque a ela voltarei novamente". 

Temos aí uma síntese admirável do princípio da reencarnação, de pleno acordo com o Espiritismo: morto o homem, não fica enterrado, mas ressuscita no corpo espiritual, como ensina o apóstolo Paulo. Ressuscitado, espera no mundo espiritual o momento de voltar à vida terrena, a fim de prosseguir no seu desenvolvimento. Todas as alterações, como se vê, caem fragorosamente diante dos estudos críticos da Bíblia, que revelam o verdadeiro sentido dos textos desfigurantes. E cada alteração corrigida mostra que os textos originais confirmam os princípios do Espiritismo. 

Mas as alterações não se deram apenas no passado. Dão-se agora mesmo, aos nossos olhos. Examine o leitor a última edição da Bíblia feita pela Sociedade Bíblica do Brasil e impressa em São Paulo, nas oficinas da "Impress". A tradução portuguesa é a clássica, de João Ferreira de Almeida, mas "revista e atualizada no Brasil". A revisão implicou a mudança de palavras, às vezes com a finalidade de enquadrar o Espiritismo nas condenações bíblicas às práticas da antiga magia. É assim que, em l Samuel, como título do Cap. 28, encontramos o seguinte: "Saul consulta a médium de En-Dor". E também no texto a palavra espírita "-médium" foi incluída. Mas no Cap. 18 de Deuteronômio foram conservadas as expressões antigas: "adivinhos e feiticeiros". Que diria disso o bom padre Almeida? Como se vê, a palavra de Deus é moldada pelos homens, conforme as suas conveniências.


J. Herculano Pires
Paz e Luz 

sexta-feira

Diretrizes Para Uma Vida Melhor


Paz a todos!

Oiêêêê


Estamos de volta pedindo desculpas pela ausência!

Paz a todos!

Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus


Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. - Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? - Eu então lhes direi em altas vozes: Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniqüidade. (S. MATEUS, cap. VII, vv. 21 a 23.)

Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. - Quando caiu a chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. - Mas, aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derrubada; grande foi a sua ruína. (S. MATEUS, cap. VII, vv. 24 a 27. - S. LUCAS, cap. VI, vv. 46 a 49.)

Aquele que violar um destes menores mandamentos e que ensinar os homens a violá-los, será considerado como último no reino dos céus; mas, será grande no reino dos céus aquele que os cumprir e ensinar. - (S. MATEUS, cap. V, v.19.)

Todos os que reconhecem a missão de Jesus dizem: Senhor! Senhor! - Mas, de que serve lhe chamarem Mestre ou Senhor, se não lhe seguem os preceitos? Serão cristãos os que o honram com exteriores atos de devoção e, ao mesmo tempo, sacrificam ao orgulho, ao egoísmo, à cupidez e a todas as suas paixões? Serão seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não, porquanto, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a prece nos lábios e não no coração. Pela forma poderão impor-se aos homens; não, porém, a Deus. Em vão dirão eles a Jesus: "Senhor! não profetizamos, isto é, não ensinamos em teu nome; não expulsamos em teu nome os demônios; não comemos e bebemos contigo?" Ele lhes responderá: "Não sei quem sois; afastai-vos de mim, vós que cometeis iniqüidades, vós que desmentis com os atos o que dizeis com os lábios, que caluniais o vosso próximo, que expoliais as viúvas e cometeis adultério. Afastai-vos de mim, vós cujo coração destila ódio e fel, que derramais o sangue dos vossos irmãos em meu nome, que fazeis corram lágrimas, em vez de secá-las. Para vós, haverá prantos e ranger de dentes, porquanto o reino de Deus é para os que são brandos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade das vossas palavras e das vossas genuflexões. O caminho único que vos está aberto, para achardes graça perante ele, é o da prática sincera da lei de amor e de caridade."

São eternas as palavras de Jesus, porque são a verdade. Constituem não só a salvaguarda da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranqüilidade e da estabilidade nas coisas da vida terrestre. Eis por que todas as instituições humanas, políticas, sociais e religiosas, que se apoiarem nessas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a rocha. Os homens as conservarão, porque se sentirão felizes nelas. As que, porém, forem uma violação daquelas palavras, serão como a casa edificada na areia. o vento das renovações e o rio do progresso as arrastarão.


KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 18. Itens 6 a 9.

Muita paz a todos!

Planeta Intermediário


Dentre as objeções apresentadas contra a reencarnação, freqüentemente é referida a questão populacional do Planeta, que aumenta geometricamente, parecendo dar margem a paradoxos, desde que serviam os mesmos, os espíritos, no contínuo fluxo do ir-e-vir.

Esquecem-se tais opositores que a Criação é infinita, e não estanque, prosseguindo o Poder Gerador a criar sempre e incessantemente. Outrossim, da mesma maneira que as migrações, no Orbe, fazem-se continuamente, transferindo-se pessoas de uma outra região do país, ou de um para outro continente, ocorre, com assiduidade, fenômeno equivalente com os habitantes espirituais de outros mundos, que emigram, objetivando ajudar o progresso do planeta no qual se hospedam, ou atendendo a impositivos da evolução, em mecanismos reparadores de culpas e erros.

O mesmo sucede aos terrícolas que, vez por outra, são encaminhados a outras moradas onde adquirem experiências e conhecimentos se se tratam de lares mais elevados, ou são conduzidos a esferas mais primitivas, nas quais se depuram e reequilibram.

As leis de Deus vigem em toda parte e são iguais para todos.

Como progresso é contínuo, os mundos que gravitam nos espaços siderais constituem escolas de variada finalidade, no concerto universal da Divina Sabedoria.

Esse mecanismo é igualmente usado na Terra, no que se refere à aprendizagem, em qualquer área da educação. Desde os degraus mais elementares até os cursos mais complexos, há uma escala ascendente que se estende por várias Escolas com finalidades específicas, que fazem parte do arquipélago universitário.

Aprendiz constante, o espírito submerge e emerge no processo corporal, vivenciando experiências que o capacitarão para a felicidade posterior.

Sendo a Terra um planeta de provações, os espíritos que nela habitam encontram-se em processo de evolução, capacitando-se para grandiosos passos, que se prolongarão por outras Esferas mais ditosas, quando aqui encerrado o ciclo, ou seguindo-a, ao se tornar educandário de regeneração, iniciando uma fase de amplas bênçãos. .

Outrossim, recebe o nosso planeta-mãe hóspedes espirituais de diversas classes, que aqui se reeducam, quando indisciplinados, ou nos trazem informações e conhecimentos hábeis para o seu mais rápido crescimento na escala dos mundos, se adiantados.

Quando a santa fraternidade reinar entre os homens, auxiliando-os a romper com as amarras do próprio primitivismo, ser-Ihes-á mais fácil excursionar por esses ninhos de bênçãos que gravitam nos espaços siderais, onde a dor, a morte e a enfermidade não existem, facultando que os visitantes conheçam as delícias do "reino do céus" e retomem, ansiosos por promoverem o seu lar e seus habitantes, a fim de que desfrutem das mesmas alegrias que os aguardam.

Por essa razão, afirmou Jesus com tranqüilidade:

"Na casa de meu Pai há muitas moradas".


Vianna de Carvalho Espírito
Médium Divaldo Pereira Franco

Muita Paz!

Agosto, seja bem vido!


Repleto de bênçãos para todos nós!

Muita PAZ!